Muitos municípios da região metropolitana assistem diariamente um número expressivo de trabalhadores que se deslocam rumo à capital para exercer suas atividades profissionais. Em Quitandinha não é diferente. Segundo o cobrador de ônibus Júlio Munhoz, que durante 4,5 anos trabalha na empresa Reunidas, calcula-se que cerca de 700 pessoas seguem diariamente para Curitiba. Os ônibus começam a circular a partir das 4:50 horas, com outros 4 horários até às 7:10 horas. “A capacidade de cada veículo é de 44 passageiros, mas nesses primeiros horários da manhã todo dia há superlotação. Em alguns casos dobra o número de passageiros em relação ao limite permitido”, conta o cobrador.
O deslocamento para trabalhar em Curitiba é motivado por dois fatores. Primeiro é a falta de oportunidades no município e segundo a remuneração consideravelmente baixa em relação ao que é pago na capital. Não fosse por isso, a maioria absoluta daqueles que diariamente fazem a peregrinação gostaria mesmo é de trabalhar na sua própria cidade.
A diarista Roseli Aparecida Andrade, 40 anos, que mora na Vila Prado, em Quitandinha, pega o ônibus todo dia e segue para Curitiba. “Tenho que acordar cedo, seis horas sai o ônibus que eu uso e mesmo que chegue adiantada no ponto são raras as vezes que consigo um lugar para sentar. São 1:40 horas de pé dentro do ônibus até chegar no meu local de trabalho. Sofrimento de ida e de volta por vários anos. Nos últimos 8 meses ela conta com a companhia do marido, que é pedreiro e também começou a trabalhar na capital. “Tanto eu como ele ganhamos mais trabalhando lá e por enquanto é a nossa única solução”, declara.
Caso idêntico vive a cozinheira Terezinha Rodrigues, 24 anos, que por longos anos é funcionária de uma família em Curitiba. “O serviço que tenho na capital não encontraria em Quitandinha. É penoso, mas ainda assim vale a pena”, explica. Ela reclama dos ônibus superlotados e diz que a empresa responsável deveria respeitar os usuários e colocar mais veículos, principalmente nos horário de pico.
Profissional da construção civil, o pedreiro Luiz Antonio Nascimento, 46 anos, está há mais de 10 anos trabalhando em Curitiba e não se conforma em ter que gastar cerca de 250 reais só com passagens de ônibus. “Mas na capital a hora de um pedreiro paga-se bem mais que lá em Quitandinha e por isso vale a pena continuar nessa andança de vai e volta. Mas quero parar e finalmente ficar mas tranqüilo e sem tanto desgaste”, relatou.
O motorista de ônibus Celso Wosniack declara que a superlotação é constante e por isso aumenta ainda mais a responsabilidade de quem está no volante. “A grande maioria vai mesmo trabalhar, mas estamos percebendo que vem crescendo cada vez mais o número de pessoas que vão para Curitiba por outros motivos. Ou seja, os ônibus vão continuar lotados”, destacou.